De trás pra frente pode ser perigoso:
Estamos vivendo uma era de transformações, o vestibular, antigo vilão, tão criticado, está nos dando adeus, e aos poucos sendo substituído pelo ENEM. Mas, afinal é só isso? Vamos fazer a troca e continuar com a prática de sempre? Como é que vamos alcançar efetivamente uma melhor educação se o processo está começando pelo lado contrário?
Não acredito numa reforma ou melhoria de uma educação que desconsidera as bases e esquece a preocupação com o início. De que maneira se pode evoluir se só mexermos nos resultados enquanto as “continhas” continuam sendo armadas erradas?
Atualmente escolas públicas e principalmente particulares de educação infantil e ensino fundamental, trabalham na perspectiva do vestibular, desvalorizando o contato com o concreto e a inteiração com o meio, receio que estejamos mais uma vez errando, maquiando apenas o fim de um processo mentiroso, olhos abertos pra o início da partida, esse jogo exige sequência.
Não podemos continuar ensinando nossas crianças pautados no distante, ouçamos a voz de cada um dos seres que ajudamos a formar, façamos nosso papel, assumamos nossa responsabilidade, mas como? Sozinhos? Nãooooooooo! Exijamos mais de quem rege a educação brasileira, como professores, mas acima de tudo como cidadãos, exijamos também dos pais, esclareçamos que a escola não é um depósito de crianças!
A educação não é feita de papel e nem só no papel, resultados concretos exigem contatos com o concreto. Tenho certeza plena das minhas palavras quando nos olhos dos meus alunos percebo o brilho e o orgulho da descoberta, quando os escuto multiplicar os temas abordados em sala, à sua maneira, com suas palavras, mas felizes pela certeza de que esse conhecimento não é alheio a eles.
Se queremos extinguir o mecanicismo do vestibular, precisamos substituir nas nossas bases esses mecanicismo, acabar de vez com o aprender por aprender, tornando o conhecimento algo real e palpável, se não for assim, fica difícil supor um final diferente!
Andréa Furtado
Professora.
Pedagoga.
Juazeiro do Norte- CE